Ibiapina leva o sabor da Serra para a merenda escolar incorporando açaí e promovendo o abacate

Referência regional em fruticultura e maior produtora de abacate do Ceará e, a cidade transforma produtos do campo em alimentação para os estudantes e prepara nova edição do Festival do Abacate e do Açaí.

IBIAPINA — CE — Em Ibiapina, na Serra da Ibiapaba, frutos que já fazem parte da paisagem econômica e agrícola do município começam a ganhar também um lugar especial à mesa das crianças e adolescentes da rede municipal de ensino: o açaí, e, num futuro próximo, o abacate. A iniciativa aproxima produção rural, alimentação escolar, agricultura familiar e identidade gastronômica, transformando aquilo que é cultivado nas propriedades da região em alimento servido diariamente aos estudantes.

A mudança acompanha uma transformação maior da economia agrícola de Ibiapina. O município é atualmente reconhecido pelo IBGE como o maior produtor de abacate do Ceará, enquanto o cultivo de açaí vem se expandindo rapidamente na Serra da Ibiapaba. Em 2025, o Ceará produziu 47,1 mil toneladas de abacate, e Ibiapina apareceu como o principal município produtor do Estado. O valor da produção estadual alcançou R$ 132,4 milhões.

No caso do açaí, a produção cearense ainda é pequena quando comparada à dos grandes estados produtores brasileiros, mas apresenta crescimento consistente. Em 2025, o Ceará alcançou 746 toneladas de açaí cultivado, distribuídas por dez municípios. Ibiapina está entre os municípios que já integram essa nova fronteira produtiva, ao lado de outras cidades da Ibiapaba tais como Tianguá, Ubajara e Viçosa do Ceará. Existem, na área rural de Ibiapina e das cidades vizinhas da Ibiapaba, diversos empreendimentos que misturam plantações de grande e médio porte de açaí, as quais oferecem degustação e visitação como atrativos turísticos.

Da propriedade rural ao prato dos alunos.

A incorporação do açaí à alimentação escolar ganhou destaque em agosto de 2026, quando Ibiapina passou a oferecer polpa de açaí na merenda da rede municipal. A iniciativa foi divulgada como pioneira no Ceará e representa uma aproximação direta entre a vocação agrícola do município e a política de alimentação escolar. A medida está inserida em um processo administrativo mais amplo idealizado pelo prefeito de Ibiapina, Marcos Antônio da Silva Lima, melhor conhecido como “Marcão”, atualmente no seu segundo mandato.

Em 2026, a Secretaria Municipal de Educação abriu chamamento público para aquisição de gêneros alimentícios diretamente da agricultura familiar e do empreendedor familiar rural, conforme a legislação do Programa Nacional de Alimentação Escolar. O processo teve como ordenador da despesa e responsável pelo chamamento o secretário municipal de Educação, Francisco Cleano Lima Melo.

Também foi realizada licitação específica para aquisição de gêneros alimentícios destinados à composição da merenda das escolas públicas municipais. O processo de 2026 foi conduzido pela Secretaria de Educação e teve valor estimado de R$ 2,617 milhões. A política não surgiu isoladamente. Ibiapina já realizava, nos anos anteriores, processos de aquisição de alimentos provenientes da agricultura familiar para a merenda escolar, seguindo a Lei nº 11.947/2009 e as regulamentações do FNDE. O diferencial é que, agora, o cardápio dos alunos da rede pública inclui produtos que simbolizam cada vez mais a própria identidade agrícola de Ibiapina.

Marcão e Cleano: agricultura e educação no mesmo prato.

A iniciativa reforça uma visão de gestão que vem sendo associada ao trabalho do prefeito Marcão, de aproximar as políticas públicas municipais da vocação econômica de Ibiapina. Ao lado do secretário de Educação, Cleano Melo, a administração municipal vem trabalhando para fortalecer a alimentação escolar e, simultaneamente, valorizar a produção rural. O chamamento de 2026 destinado à agricultura familiar demonstra institucionalmente essa conexão entre a Secretaria de Educação e os produtores locais.

Na prática, a estratégia cria um ciclo virtuoso: o agricultor encontra mercado, o município fortalece sua economia, os estudantes recebem alimentos ligados à produção regional e a escola passa a ser também um espaço de valorização da cultura alimentar local. É uma lógica especialmente significativa em uma cidade cuja economia rural ganhou escala e reconhecimento nos últimos anos.

Ibiapina, capital cearense do abacate.

Os números ajudam a explicar por que o abacate passou a ocupar posição tão importante na identidade econômica do município. Dados mais recentes do IBGE mostram Ibiapina como maior produtor de abacate do Ceará em 2025. O município alcançou R$ 42,203 milhões em valor de produção, muito à frente de outros polos cearenses da cultura, como Tianguá, Ubajara, Viçosa do Ceará, São Benedito e Guaraciaba do Norte.

Um parecer da Comissão de Agropecuária da Assembleia Legislativa, elaborado durante a tramitação do projeto que reconheceu Ibiapina como Pólo Estadual de Produção de Abacate, apontou cerca de 548 hectares cultivados e produção anual próxima de 14 mil toneladas, além de mais de 350 mil pés de abacateiros distribuídos pela Serra da Ibiapaba. O reconhecimento deixou de ser apenas uma descrição econômica e passou a ter respaldo legal.

Em abril de 2026, a Assembleia Legislativa publicou a Lei nº 19.708, que reconheceu oficialmente Ibiapina como Pólo Estadual de Produção de Abacate. A iniciativa foi de autoria do deputado estadual Alysson Aguiar (oriundo ele de São Benedito, também na Serra da Ibiapaba).

O resultado é a consolidação de uma cadeia que envolve produtores, trabalhadores rurais, cooperativas, assistência técnica, comércio, gastronomia e turismo. Segundo declaração atribuída a Marcão durante a divulgação do primeiro festival, a cadeia do abacate já representava pelo menos 500 empregos no município.

O novo ouro verde da Ibiapaba.

Se o abacate já é uma realidade consolidada, o açaí representa uma das novas apostas da fruticultura serrana. A experiência de produtores de Ibiapina foi destacada pelo Diário do Nordeste em reportagem sobre a expansão do açaí no Ceará. O cultivo, que tradicionalmente está associado à região amazônica, vem demonstrando capacidade de adaptação às condições da Serra da Ibiapaba, inclusive em sistemas irrigados.

A expansão da cultura acompanha o crescimento do mercado consumidor brasileiro. Dados de 2025 mostram que a produção cearense chegou a 746 toneladas, e a Ibiapaba aparece como uma das principais áreas de expansão. Tianguá, por exemplo, saltou de 77 toneladas em 2024 para 180 toneladas em 2025, passando à segunda posição estadual. Ibiapina também aparece entre os dez municípios produtores do Ceará.

Dessa forma, a Serra começa a desenvolver uma nova combinação agrícola: abacate já consolidado e açaí em forte expansão. É justamente essa combinação que está ajudando a construir uma nova identidade gastronômica para Ibiapina.

Agricultura que vira gastronomia e fortalece a economia.

A transformação do abacate e do açaí em ingredientes gastronômicos é uma das principais características dessa nova fase de desenvolvimento da Ibiapaba. Em 2025, Ibiapina realizou a primeira edição do Festival do Abacate e do Açaí do Território da Ibiapaba, iniciativa construída em parceria entre Prefeitura, a cooperativa de produtores Coopamil, o Sindicato Rural, produtores diversos, o Sebrae, a Ematerce, o FAEC/Senar, IFCE, instituições de ensino e outras entidades.

O evento reuniu palestras técnicas, oficinas gastronômicas, exposição de produtos, concurso culinário e visita técnica a uma propriedade produtora de açaí. A programação incluiu inclusive uma oficina dedicada aos “Sabores do Abacate”. A proposta vai além de uma festa gastronômica. O objetivo declarado foi fortalecer a cadeia produtiva, valorizar os agricultores, estimular o turismo rural e gastronômico, atrair investimentos e criar novas oportunidades de comercialização e agregação de valor.

A agenda de 2026 já prevê uma nova edição do evento que promove a cultura do abacate e o seu uso no dia a dia dos cearenses, por possuir propriedades e elementos agregadores para uma boa saúde. O calendário oficial de eventos do Ministério do Turismo registra para 18 e 19 de dezembro de 2026, em Ibiapina, o II Festival do Abacate e do Açaí de Ibiapina. Também o evento significa a consolidação da agricultura e da gastronomia local, obtendo o abacate e outros produtos locais (incluindo o açaí) uma visibilidade em nível regional e estadual.

Um cardápio que conta a história de Ibiapina

A presença do açaí na alimentação escolar acrescenta uma dimensão social a essa história. O Secretário de Educação de Ibiapina, Cleano Melo, destaca que “o aluno que recebe uma preparação com esses ingredientes não está apenas consumindo uma fruta. Está, de certa forma, conhecendo aquilo que é produzido na própria região, compreendendo a importância do trabalho dos agricultores e entrando em contato com uma cadeia econômica que movimenta centenas de famílias. É também uma maneira de transformar a merenda escolar em instrumento de educação alimentar”, frisa o gestor municipal.

O Ministério da Educação destaca que a alimentação escolar integra uma política pública destinada a garantir alimentação aos estudantes da educação básica pública. Em Ibiapina, a utilização crescente de produtos ligados à agricultura familiar acrescenta a essa política um componente de identidade territorial. E essa identidade ganha um sabor próprio.

Já o abacate, que durante muito tempo esteve associado principalmente ao consumo doméstico, ganhou escala comercial e passou a representar uma das principais forças do agronegócio local. O açaí, por sua vez, chega como uma cultura relativamente nova, mas com mercado em expansão e potencial de diversificação.

Da merenda escolar ao desenvolvimento regional.

A experiência de Ibiapina mostra como políticas públicas aparentemente distintas podem se encontrar em torno de um mesmo produto. Agricultura, educação, gastronomia, turismo e desenvolvimento econômico passam a conversar.

Segundo o prefeito Marcão, a ideia da incorporação destes naturais alimentos na dieta dos alunos e no calendário turístico da cidade é estratégica e produtiva: “De um lado, o produtor precisa de mercado e condições para ampliar sua produção. De outro, a rede municipal de ensino precisa garantir alimentação adequada e diversificada aos estudantes. Entre os dois pontos está a administração pública, capaz de criar mecanismos de compra, estimular a agricultura familiar e incorporar a produção local às políticas municipais. Estamos bem satisfeitos com a receptividade do açaí no paladar dos nossos jovens e do abacate nos visitantes à serra e ao nosso Festival anual”, frisa o líder o Executivo ibiapinense.

É nesse espaço que se insere a atuação do prefeito Marcão e do secretário Cleano Melo. Ao aproximar o campo da escola, a gestão transforma uma característica econômica de Ibiapina em experiência cotidiana para milhares de estudantes. E, ao promover o abacate e o açaí também como elementos gastronômicos e turísticos, amplia o potencial de geração de renda associado às duas culturas.

Ibiapina passa, assim, a contar sua história também pela comida. Uma história que começa nas plantações da Serra da Ibiapaba, passa pelas mãos dos agricultores, chega às cozinhas das escolas e pode terminar, cada vez mais, nas mesas de visitantes atraídos pelos sabores, pela paisagem e pela produção agrícola de uma das áreas mais importantes da fruticultura cearense.

Em Ibiapina, o que nasce no campo começa a ganhar um novo destino: alimentar, educar, gerar renda e representar a identidade de toda uma região.

(Crédito: Açaí: Agência Sebrae-CE | Abacate: Ceará Agora)

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