Telemedicina deve dobrar até 2023 na América Latina: setor ainda carece no Brasil, aponta CEO da Unicallmed

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Willians Pires, CEO da Unicallmed, explica que apesar da crescente no Brasil, a regulamentação da telemedicina no cenário pós-pandemia pode impactar empresas e também pacientes que hoje se beneficiam dessa inovação

Com um empurrão da tecnologia, o mercado de saúde tem buscado inovações quando o assunto é atendimento. Prova dessa modernização é que o número de startups no setor cresceu 118% no Brasil nos últimos dois anos, segundo levantamento da HealthTech Report 2020 — ao todo o país possui mais de 542 modelos de negócios que buscam solucionar demandas simples e aliviar a demanda do sistema de saúde.

Entre as inovações, a telemedicina se destaca pela facilidade e rapidez em atender pacientes de rotina e pequenas emergências. “A pandemia acelerou o uso da tecnologia para fins médicos, mas isso não é uma novidade trazida pela crise sanitária. Em países como Estados Unidos e Portugal, essa realidade já era bastante difundida pela população. O que houve foi uma aceleração da aceitação desses serviços nos países, em especial os da América Latina”, explica Willians Pires, o CEO  da Unicallmed Worldwide, startup de atendimento em saúde que funciona de forma semelhante ao Uber.

Segundo previsão da Global Market Insights, o mercado da telemedicina deve crescer US$64,1 bilhões até 2025 — falando sobre o mercado latino-americano a estimativa é que o valor de mercado dobre até 2023, com projeção de crescimento de US$3,5 bilhões. “Mesmo com a aceleração na pandemia, esse mercado no Brasil tem a regulamentação como barreira. Antes da pandemia, havia uma discussão sobre se o teleatendimento poderia ser prejudicial à prática médica e ao diagnóstico, mas já foi comprovado que isso é mais um receio que uma realidade. O profissional da saúde, seja de forma presencial ou por vídeo, só pode afirmar diagnóstico através dos exames, então resultados acabam sendo o mesmo. Além disso, a telemedicina não faz com que o atendimento presencial seja deixado de lado, ela  facilita o acesso à saúde, aos diagnósticos e torna a ida ao médico menos emergencista e mais preventiva”, argumenta o CEO da Unicallmed.

Regulamentação no Brasil

A lei 13.989, que regulamenta a telemedicina no Brasil foi sancionada pelo presidente da república apenas em 16 de abril de 2020, permitindo a prática durante a  pandemia de covid-19, antes disso esses atendimentos desse tipo eram restringidos pelo Conselho Federal de Medicina.

“O boom que o Brasil experimentou se deu por essa legislação em caráter emergencial, provando que a telemedicina é uma forma segura e efetiva de atender a população. Entretanto, caso não seja regulamentada a tendência é que no cenário pós-pandemia, a atuação da telemedicina volte a ser vaga e restritiva, dificultando a vida dos pacientes que já estão se beneficiando dessa inovação”, alega Willians.

De acordo com o empresário, a perda tende a ser maior para pacientes, que muitas vezes deixam de frequentar o médico pela burocratização do sistema ou porque não estão “doentes o suficiente” para conseguir atendimento. “Todos precisam de acompanhamento médico, se o ser humano não tiver saúde e tratamento adequado, ele não terá condições de trabalhar ou até mesmo ter uma vida mais longa. A medicina deve ser usada de forma a garantir uma melhor qualidade de vida, visto que prevenir uma doença é mil vezes melhor e mais fácil que tratá-la”, comenta.

No caso da Unicallmed, Willians Pires desenvolveu um sistema robusto para atingir pessoas que possuem dificuldades de acessar o sistema de saúde, bem como quem prefere fazer consultas de rotina no conforto de casa. “Há ainda a vantagem das receitas médicas digitais. É uma questão de tempo até que todas as farmácias só vendam  medicamentos com receita, e a telemedicina pode facilitar não apenas esse serviço, como também os pacientes que precisam de atestados médicos e hoje lotam as emergências e nem sempre conseguem, tendo que trabalhar doentes muitas vezes. É esse tipo de facilidade que a telemedicina traz. É um serviço para somar”, garante.

Como funciona a  Unicallmed

Unicallmed
Willians Pires, CEO da Unicallmed. Reprodução/ Arquivo Pessoal

Resultado das análises de necessidades que surgiram com a pandemia e as transformações sociais e de mercado que ela gerou, a Start-up norte-americana a Unicallmed Worldwide trabalha com um conceito ainda pouco explorado no Brasil: atendimento médico online. Criada por Willians Pires, formado em Administração pela Faculdade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, e também CEO e presidente da empresa, a Unicallmed funciona como um Uber de consultas, conectando médicos e pacientes por meio de uma interface simplificada.

Com sistema único que funciona com base em um software de agendamento automático, a empresa une tecnologia, inovação e gestão de tempo para quem precisa de um atendimento médico rápido e sem sair de casa, tendo como público-alvo, principalmente, a população que tem dificuldade de acessar o sistema de saúde.

O sistema possui uma base de dados de médicos que conta com centenas de especialidades tais quais psicología, clínica geral, pediatra, entre outros. Ao precisar de um atendimento, o paciente pesquisa pela especialidade, escolhe fazer um atendimento imediato e o aplicativo irá acionar por ligação todos os médicos daquela especialidade, o primeiro que atender ao chamado do paciente poderá iniciar a consulta que acontece por meio de videochamada.

Para garantir um atendimento assertivo e que também possa evoluir para um atendimento presencial, caso seja necessário, o aplicativo ordena os médicos por proximidade com o paciente e avaliação dos usuários, assim como também aceita apenas médicos que possuam o CRM regular na base de dados do Conselho Federal de Medicina. Além do Call imediato com um especialista, o aplicativo com as funções de consulta agendada e também de busca pelas farmácias mais próximas, visto que dentro do aplicativo o médico pode solicitar exames, receitar medicamentos e também fornecer o atestado médico.

O aplicativo foi lançado em julho deste ano para cadastro de médicos, que podem sincronizar toda a agenda médica dentro do aplicativo. Para os médicos o aplicativo possui planos pagos, podendo ser assinado com no plano golden, que possui sistema de agenda integrado, e plano premium, que possui agenda, videoconferência e o selo de verificação do médico, que aparecerá em destaque nas pesquisas do paciente. Já para os pacientes o aplicativo é baixado gratuitamente. Mais informações através do site e do Instagram.