Endocrinologista alerta para principais cuidados na alimentação durante o envelhecimento feminino e como prevenir a obesidade

A OMS já trata a obesidade como doença crônica causada por múltiplos fatores

A obesidade deixou de ser tratada como uma questão estética ou de força de vontade para ganhar o status que a ciência sempre reivindicou: o de doença crônica. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já classifica o quadro como uma condição progressiva, recidivante e de múltiplas causas.

É nesse cenário que a endocrinologista Dra. Fernanda Parra chama a atenção para a necessidade de repensar a alimentação e os hábitos de vida das mulheres durante o processo de envelhecimento. Para ela, o ponto de partida é desfazer um mito antigo: o de que ganhar peso nessa fase é apenas uma consequência natural da idade.

“O envelhecimento feminino traz transformações metabólicas profundas, especialmente a partir da perimenopausa. Com a redução do estrogênio, observamos queda na taxa metabólica, aumento da resistência à insulina e mudança na distribuição de gordura, que passa a se concentrar mais na região abdominal. É por isso que muitas mulheres relatam ganho de peso mesmo sem alterar a alimentação ou a rotina de exercícios”, explica a médica.

Doença crônica exige tratamento crônico

O reconhecimento da obesidade como doença crônica pela OMS tem implicações práticas diretas no modo como o tratamento deve ser conduzido. A Dra. Fernanda Parra é categórica ao afirmar que a abordagem precisa ir muito além da balança.

“A forma como a OMS entende a doença muda completamente a forma como precisamos encarar o tratamento: não basta perder peso, é preciso manter o novo peso com acompanhamento contínuo, assim como fazemos com a diabetes e hipertensão”, afirma.

Assim como hipertensos e diabéticos necessitam de monitoramento permanente, a manutenção do peso após o emagrecimento exige vigilância sustentada, o que, segundo a endocrinologista, envolve uma combinação de estratégias que vão muito além da restrição calórica.

Durante o envelhecimento feminino, as escolhas alimentares precisam ser estratégicas e individualizadas, nunca genéricas ou baseadas em modismos.

“Não se trata de restrição extrema, mas de escolhas estratégicas: priorizar proteínas para preservar a massa magra, incluir fibras para controle glicêmico e saciedade, reduzir ultraprocessados e garantir o aporte de micronutrientes essenciais como cálcio e vitamina D. Cada mulher responde de um jeito, por isso o plano alimentar precisa ser individualizado”, orienta.

A médica ressalta, ainda, que a perda de massa muscular, conhecida como sarcopenia, é um processo silencioso que se intensifica com a idade e compromete diretamente o metabolismo. Quanto menos massa magra, menor é o gasto energético em repouso, o que cria um ciclo que favorece o acúmulo de gordura. Por isso, a ingestão adequada de proteínas e o treinamento de força surgem como pilares complementares à alimentação.

Prevenção começa antes da balança

Para a endocrinologista, prevenir a obesidade no envelhecimento feminino requer uma visão integrada, que contemple não apenas o prato, mas o conjunto de hábitos que moldam a saúde metabólica ao longo das décadas.

“Prevenir a obesidade no envelhecimento feminino exige uma abordagem integrada: alimentação adequada, atividade física, com ênfase em treinamento de força para preservar massa muscular, sono de qualidade e manejo do estresse. Quando falamos de prevenção, estamos falando de proteger a mulher contra a diabetes, doenças cardiovasculares e outras complicações que a obesidade traz consigo. Quanto mais cedo começamos, melhores são os resultados a longo prazo”, conclui.

Para a especialista, o envelhecimento feminino não precisa ser sinônimo de ganho de peso inevitável. Com informação, acompanhamento médico individualizado e mudanças sustentáveis no estilo de vida, é possível não apenas prevenir a obesidade, como também garantir mais qualidade de vida nas décadas seguintes.

(Crédito: Divulgação)

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