Alan Honjoya, o advogado que levou vendas para a advocacia e para dentro da OAB
De vendedor de rua aos 14 anos à construção de uma operação jurídica de R$ 150 milhões
Depois de começar a trabalhar ainda adolescente e participar da construção de um escritório com nove unidades, Alan aposta em tecnologia em um novo modelo de negócio. Também tem levado a advogados uma discussão que ainda provoca resistência na profissão: a importância de saber vender com ética.
Aos 14 anos, Alan Honjoya começou a trabalhar no comércio, vendendo camisas em uma loja. Foi ali que teve seu primeiro contato com vendas. Depois, passou por diferentes operações de call center, trabalhou como representante comercial e vendeu publicidade de porta em porta.

A trajetória profissional seguiu por caminhos diferentes até chegar à advocacia. No Direito, Alan passou pelas funções de auxiliar jurídico, coordenador e gestor de filial, até se tornar advogado sócio de uma grande banca.
Em 2017, fundou o Pamplona & Honjoya Advogados, ao lado do ex-sócio. Ao longo de nove anos, o escritório chegou a nove unidades, reuniu 160 colaboradores contratados pelo regime CLT e conduziu cerca de 17 mil processos High Ticket. Segundo Alan, a operação acumulou mais de R$ 150 milhões em faturamento.

Em junho de 2026, ele vendeu sua participação. A decisão encerrou um ciclo e abriu espaço para um novo projeto, criado com Ederson Lima: o Honjoya & Lima Advogados, com sede em Alphaville, São Paulo. A inauguração está prevista para 23 de outubro, em um coquetel no endereço da sede, recentemente adquirida.
O novo modelo de negócio terá tecnologia e automação no centro da operação. A proposta inclui robôs para apoiar a prospecção e o agendamento de atendimentos, o envio de informações processuais e integrações com plataformas judiciais, como o PJe. Ferramentas de inteligência artificial também devem apoiar a elaboração de peças, enquanto sistemas automatizados participarão do relacionamento e acompanhamento dos clientes.

Alan afirma que pretende alcançar faturamento igual ou superior ao da operação anterior com uma estrutura mais enxuta e custos reduzidos. A meta, segundo ele, é usar a tecnologia para ampliar a eficiência sem abrir mão do atendimento ao cliente.
A discussão sobre vendas, que começou muito antes de sua carreira no Direito, também passou a fazer parte de seu trabalho com advogados. Alan tem palestrado em eventos da OAB e vem quebrando paradigmas ao abordar um tema que ainda pode gerar resistência na profissão: vendas. Sua defesa é que vender serviços jurídicos não significa abandonar a ética, mas comunicar com clareza os problemas que o escritório pode resolver e o valor do trabalho realizado. Hoje a maioria esmagadora dos advogados dependem de indicação.
“O escritório de advocacia é uma empresa como qualquer outra. Precisa vender e gerar receita; caso contrário, não se sustenta”, diz. “Estamos ensinando advogados a venderem de forma ética e a mostrarem os problemas que resolvem. A técnica, por si só, não leva o escritório a lugar nenhum se as pessoas não entendem como aquele trabalho pode ajudá-las.”
A experiência acumulada na advocacia também se estendeu à educação e a outros negócios. Em 2025, Alan lançou o livro Louco ou Lenda, que reúne estratégias e aprendizados que, segundo ele, ainda não havia compartilhado publicamente. Também criou a Digitown Marketing, agência de marketing jurídico, e a Talent Match, empresa de recrutamento e seleção, além de iniciativas de treinamento e liderança para advogados.
Alan também é sócio da ADVBOX, plataforma de gestão jurídica que se apresenta como a maior do Brasil que recentemente abriu capital. Como sócio fundador do Lendas Milionárias Educação Profissional, ele treina equipes comerciais de escritórios de advocacia de diferentes regiões do país. Os programas abordam vendas, canais de aquisição e estruturação de funis para prospecção de clientes no mercado de alto valor. Alan afirma que, ao longo de quatro anos de cursos e mentorias, mais de 15 mil alunos participaram das formações e eventos.
O percurso deixa uma mensagem clara: o ponto de partida não determina até onde alguém pode chegar.
Com consistência e coragem para continuar, pequenos começos podem se transformar em grandes resultados. Agora, Alan inicia um novo ciclo com a ambição de construir algo que também abra caminhos para outras pessoas.
(Crédito: Arquivo Pessoal)
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