Camilla Martins conta como funciona o mercado de treinamentos corporativos

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O mundo de treinamento corporativo e comportamental têm se expandido, muitas pessoas abrindo empresas e contratando funcionários para sua equipe, mas como gerenciar essas pessoas? Como direciona-las para que realizem um bom trabalho?

Nesse momento entra em ação  o profissional de treinamento corporativo que usa técnicas de coach para potencializar sua fala e levar conhecimento aos colaboradores das empresas. Camilla Martins é treinadora comportamental e fala ao nosso portal como é esse mercado e também suas dificuldades.

 

Gazeta da Notícia – Qual sua visão sobre o mercado de coaching e treinamentos corporativos? É uma área em crescimento?

Camilla Martins – É uma área em amplo crescimento, visto que o próprio ser humano entrou em uma nova fase, a fase do conhecimento, no entanto não sabemos lidar com essa enxurrada de informações a qual estamos sendo expostas. Vou dar um exemplo para ficar mais claro. Antes da implantação das leis trabalhistas, profissionais eram vistos como ferramentas descartáveis, hoje o individuo não produz também é descartado, no entanto já sabemos que por meio de técnicas especificas é possível engajar mais as pessoas, aumentar produtividade, melhorar resultados, por meio destas mesmas técnicas é possível analisar o perfil do indivíduo. 

Não adianta colocar uma pessoa tímida para realizar vendas, não que ela não seja capaz, no entanto provavelmente este não é o seu proposito de vida, e pessoas que não seguem seus propósitos, seus valores não trabalham bem.

Mediante a isso é possível afirmar que tanto o coaching como a área de treinamentos corporativos que utiliza estas técnicas, assim como a PNL, entre outros é uma fonte de crescimento inesgotável, pois pessoas necessitam se desenvolver o tempo todo em todos os lugares do mundo.

 

Gazeta da Notícia – Por que o trabalho de treinamento corporativo se faz necessário para grandes empresas?

 

Camilla Martins – O ser humano é um organismo em constante desenvolvimento, biológico, social e mental. E este desenvolvimento melhora o desempenho do indivíduo como um todo. Veja como exemplo a prática da atividade física, o treino melhora a qualidade do músculo que por sua vez melhora a qualidade de vida do indivíduo, aumenta a força. Com a mente é a mesma coisa, ao treinar mentes no ambiente corporativo a empresa ganha em desempenho e consequentemente eleva seus resultados. A matemática é simples. E digo mais, o treinamento corporativo não é necessário somente para grandes empresas, é importante para as pequenas e médias também. Onde há pessoas ali deve haver constante treino mental, ao treinar pessoas a empresa não contribui somente para crescimento próprio, ela contribui para a evolução do indivíduo, contribui para a construção de um País e de um Mundo melhor.

 

Gazeta da Notícia – Você já enfrentou algum preconceito no seu trabalho, devido a grande massa de “coachs” que surgem sem preparo e que acabam queimando a imagem de profissionais sérios como você? 

 

Camilla Martins – Sim já fui questionada, sempre sou, sempre escutei que coaching era moda, que passaria rápido, no entanto já faz seis anos que atuo com o coaching e só vejo crescimento. 

A questão é que nem todo mundo quer mudar, se desenvolver, estas pessoas não estão preparadas, não vão buscar uma terapia por exemplo, não é o momento. 

Acho saudável as pessoas questionarem, não conhecem sobre o assunto, tem que questionar mesmo, e realmente existe muitas pessoas despreparadas não somente coaches, existem médicos, enfermeiros, engenheiros, psicólogos, motoristas, etc, despreparados. É preciso separar o joio do trigo, e tudo acaba depois de uma boa explicação, um bom treinamento comportamental, um bom processo de coaching. Algumas pessoas se aproveitam disso para falar besteiras? Sim, mas não é só com o coaching, o Brasil num contexto geral está passando por um delicado processo neste sentido. Para tanto é preciso questionar mesmo, não acreditar em tudo que se fala, experimentar, e se não gostar Ok, busque uma segunda opinião. Uma pessoa não deixa de ir ao médico porque teve uma experiencia ruim. Assim também deve ser com o coaching.

 

Gazeta da Notícia – Em que momento da sua carreira você decidiu seguir como treinadora? 

 

Camilla Martins – Decidi isso em sala de aula, ministrando aula, observei que podia fazer muito mais do que ensinar o nome de um osso ou músculo por exemplo, as pessoas sempre me procuravam para falar sobre problemas, situações que não estavam conseguindo resolver, o aluno passa por momentos críticos durante o curso, vontade de desistir e etc, e eu conseguia ajuda-los. Ali percebi que estava, além de instruindo pessoas para o mercado de trabalho, preparando-as para vida, podendo inclusive fazer algo mais por elas, elevar performance, ampliar a consciência. Enxerguei um nicho de mercado que estava diretamente ligado a minha missão e propósito de vida. Assim começou minha vida como treinadora comportamental.

Gazeta da Notícia – Você criou diversos aplicativos corporativos, poderia falar um pouco sobre eles e quais suas vantagens? 

 

Camilla Martins – Eu desenvolvo  apps com base em necessidades que enxergo em um determinado grupo. Foi assim com o POP um aplicativo que muda a forma de interação com protocolos operacionais nas instituições, na grande maioria das vezes estes protocolos ficam numa pasta em algum lugar da unidade, no entanto as pessoas precisam de tempo em tempo entrar em contato com as informações ali descritas, e os setores de treinamentos das instituições, quando estas possuem um setor desses, não tem braço para treinar todos os protocolos. 

Outro app de extrema relevância digo para minha vida rs foi o que criei para me ajudar a fazer a gestão de uma grande pesquisa na qual faço parte na área de neurociências, ao concentrar as principais informações no aplicativo melhorei a comunicação entre mais de 20 pessoas envolvidas. E ainda virou minha tese de doutorado.

Criei um aplicativo ligado a uma plataforma de curso para atender a necessidade de uma importante associação com um grande curso que está para ser lançado para professores de todos Brasil 100% gratuito, mas é só o que posso falar por enquanto.

 

Gazeta da Notícia – Qual a maior dificuldade ao lidar com colaboradores das empresas?

 

Camilla Martins – Comportamento inadequado, que gera por sua vez falta de engajamento, diminuição de performance, resultados muito abaixo do esperado. Pessoas não são máquinas, precisam do estímulo certo, da mensagem certa, para isso é preciso disciplina, respeito, acolhimento. A única coisa que não dá para treinar é caráter. No entanto dá para analisar tendências antes de contratar.

Gazeta da Notícia – Como o seu trabalho pode ajudar as empresas nesse atual momento de instabilidade financeira?

 

Camilla Martins –Parece contraditório, mas investir em desenvolvimento de pessoas em momentos de instabilidade financeira é o mais correto a se fazer. A não ser que sua empresa tenha somente máquinas e não humanos, estes precisam ser treinados, um time só ganha o campeonato com treino duro, prática e repetição. E digo mais, investir somente em treinamentos isolados ainda não é a melhor solução, o desenvolvimento é um processo que precisa ser supervisionado, acompanhado, revisto. É exatamente o que fazemos.

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